Os dois nascimentos do Filho de Deus

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nativity-icon-02[1]O Nascimento é o único evento da carreira de Cristo em que se pode dizer que ocorreu duas vezes, uma na eternidade, outra no tempo. Em nenhuma outra circunstância na história do Filho de Deus podemos usar esta clara distinção da época ou duração, como atribuímos à circunstância do nascimento; Ele nasceu duas vezes, com toda exatidão da expressão.

Suponha que um homem deve iniciar duas raças, com um intervalo de tempo entre dois eventos; certamente seria contra toda a lógica e toda a verdade dizer que seriam uma raça pois foram iniciadas pela mesma pessoa. Assim, seria contrário a todas as leis do pensamento dizer que Cristo tem somente um nascimento, pois a mesma Pessoa, Cristo, nasceu em ambas as ocasiões.

Esta comparação vem do próprio São Tomás (Suma q. 35, a. 2). O santo Doutor acrescenta que há muito mais razão dizer que um e o mesmo Cristo teve dois nascimentos distintos do que dizer que o mesmo homem iniciou duas raças onde houve um intervalo de tempo entre os dois esforços; no nascimento de Cristo há a distinção entre o tempo e a eternidade, não simplesmente entre dois tempos distintos, como no exemplo. Um dos nascimentos de Cristo é somente na eternidade e pode ocorrer somente na eternidade; o outro nascimento é temporal, possui duração finita e pode ocorrer somente numa duração finita. É esta distinção radical de época que torna o nascimento do Filho de Deus dois eventos, um duplo esplendor, a mais abençoada repetição de um momento de júbilo. No que se refere ao nascimento, então, dizemos com verdade que a mesma Pessoa, Cristo, nasceu na eternidade do Pai e, no tempo, de Maria. Cristo tem, manifestamente, dois aniversários. A Pessoa divina inteira, o Filho, nasceu do Pai; a divina Pessoa inteira, o Filho, nasceu em Belém da Virgem.

O primeiro nascimento do Filho de Deus é descrito desta forma no Salmo 109: “No dia de teu nascimento, já possuis a realeza no esplendor da santidade; semelhante ao orvalho, eu te gerei antes da aurora”. A narrativa do segundo nascimento tem alegrado os corações dos cristãos de todas as gerações; é o a impressão sobrenatural mais antiga que o bebê cristão recebe, e nenhuma cena tem cativado tanto a imaginação de milhares como a de Cristo no berço, com seus anjos e pastores. As palavras que são equivalentes à maravilhosa visão de Davi no salmo a respeito do eterno nascimento são tão sucintas quanto este oráculo, embora seja uma narrativa, não uma profecia: “E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas II, 7). O contraste entre os dois nascimentos do Filho de Deus tem sido tema de pregadores de todos os tempos. Como estou visando exclusivamente o tema da maternidade divina, é incube a mim neste ponto não os contrastes externos nos dois nascimentos, mas a similaridade que é estabelecida entre Maria e o Pai Eterno através deles de que Cristo é tão verdadeiramente nascido de Maria quanto do Pai Eterno.

Toda perfeição criada é um raio que parte da própria luz de Deus; é uma semelhança de Deus. Nem mesmo a mais elevada explanação metafísica pode ser dada a respeito do significado do universo para dizer que é uma semelhança de Deus, que seu último destino é representar a Deidade de uma forma finita. A geração da Palavra, o nascimento do Filho, ao proceder Pai, parece pertencer exclusivamente à vida interior de Deus para ser comunicável ao universo criado, ter qualquer semelhança na realidade da natureza e da graça. Maria é a semelhança de Deus neste aspecto adorável, o nascimento do Filho, a segunda Pessoa da Trindade. Quando meditamos sobre a Encarnação, há um perigo mental contra o qual temos que estar em guarda: a demasiada facilidade em que poderíamos supor que não há continuação de vida na Encarnação, que há toda uma série de milagres, e que, portanto, nenhuma conclusão biológica poderia ser deduzida disso com qualquer certeza. Desse modo, poderíamos o aspecto miraculoso do nascimento de Cristo de Maria e, assim, privar inconscientemente a Maria das verdadeiras glórias da maternidade, tornando a abençoada maternidade em um mero instrumento da onipotência Divina. Mas, se a teologia católica insiste em algo, ela insiste neste ponto, no ponto de que Maria não é miraculosamente a Mãe do Filho de Deus, mas uma Mãe natural. Sic igitur ex parte Matris nativitas ilia fuit naturalis, sed ex parte operationis Spiritus Sancti fuit miraculosa: unde Beata Virgo est vera et naturalis Mater Christi: “Da parte da Mãe no nascimento de Cristo houve um nascimento natural, mas da parte do trabalho do Espírito Santo houve um nascimento miraculoso; portanto, a Abençoada Virgem é uma Mãe verdadeira e natural de Cristo” (Suma 3, q. 35, a. 3). Pensei que valeria a pena citar o texto latino de São Tomás na enunciação da verdade importantíssima de que a maternidade de Maria não é uma maternidade miraculosa, mas natural; é miraculoso somente da parte do princípio ativo, o Espírito Santo; mas a maternidade de Maria, embora iniciada miraculosamente, desenvolveu-se naturalmente. O milagre inicial, grande como foi, não reduziu as funções vitais que pertencem naturalmente à mãe.

Não deveria haver dificuldade naquela altura em ver como o nascimento de uma mesma Pessoa, o Filho, aproxima Maria de Deus, a faz a mais perfeita semelhança da vida interna de Deus. O Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, procedeu naturalmente, através do nascimento, do Pai. O nascimento de Deus tira Maria do plano ordinário de santidade e a coloca num plano em que nenhuma outra criatura pode fazer parte. É tão verdadeiro dizer que Deus nasceu da Virgem quanto dizer que Deus nasceu de Deus.

Dizemos, é claro, que Maria é mãe do Filho de Deus, não através da porção divina desta Pessoa, mas através da natureza humana na Pessoa; a divindade não foi formada em do puríssimo sangue de Maria, mas somente a humanidade. Esta distinção, entretanto, de forma alguma acaba com a grande verdade de que Maria é a Portadora de Deus, não uma Portadora do Homem. Os teólogos dão uma fácil comparação para permitir nosso entendimento deste assunto. Em cada ser humano a alma vem diretamente de Deus, enquanto o corpo deve sua origem aos fatores da geração paterna; mas quem dirá que aquela mãe é uma mãe, não do garoto, mas meramente de seu corpo? Ela é mãe da pessoa completa. O mesmo ocorre na Encarnação. O Filho de Deus nasceu de Maria e nasceu de Deus em toda a eternidade.

Além disso, a natureza humana que deve sua natureza ao puríssimo sangue de Maria não é uma simples natureza humana; é uma natureza humana divinizada, unida hipostaticamente com o Verbo Eterno de Deus, assim como o corpo humano ordinário que é formado no ventre de uma mãe não é meramente um organismo, mas um organismo penetrado completamente pela presença de um espírito imortal, uma alma racional.

Como vimos em um capitulo anterior, Maria deu a vida a um Organismo Que possuía uma visão clara de Deus, em virtude da própria lei de vida que pertence intrinsecamente a este Organismo adorável, pois Ele vivia e existia através de uma existência divina, a existência de Verbo. Quando entendermos a grande verdade de que a porão humana de Cristo levantou-se para o plano infinito da União Hipostática? Se limitarmos nossa atenção exclusivamente à natureza humana de Cristo no Parto de Maria, continuaríamos na presença de uma Mãe que levou Algo infinitamente Santo. Mas Maria é a Mãe da Pessoa de Cristo completa e, dos mais altos cumes do Paraíso até a mais distante extremidade do universo, o mistério do nascimento de Deus é encontrado somente em duas formas: no Pai Eterno e em Maria.

O solene anúncio do Natal, na Mariologia Romana, pode apropriadamente ser citada aqui: Anno imperil Octaviani Augusti quadragésimo secundo, Toto or be in pace composite, sexta mundi aetate, Iesus Christus aeternus Deus, aeternusque Patris Filius, mundum volens adventu suo piisimo consecrare, de Spiritu Sancto conceptus, novemque post conceptionem decursis mensibus in Bethlehem Iudae nascitur ex Maria Virgine factus Homo: “No quadragésimo segundo ano do governo de Octavianus Augustus, enquanto todo universo estava gozando em paz, a sexta era do mundo, Jesus Cristo, o Deus Eterno e Filho do Pai Eterno, a fim de pudesse santificar o mundo através de sua misericordiosa vinda, foi concebido do Espírito Santo, e nove meses após Sua concepção, nasceu em Belém de Judá de Maria, a Virgem, feito homem”. A não ser que dermos ao segundo nascimento de Cristo uma significância espiritual infinita, nunca iremos ser capazes de entender a linguagem da Igreja na Liturgia do Natal. Se o primeiro nascimento, o nascimento eterno, é a fonte de toda vida, da mesma forma é o segundo nascimento, o nascimento através de Maria. Hodie nobis de coelo pax vera descendit; hodie perto turn mundum meliiflui facti sunt coeli; hodie illuxit nobis dies redemptions novae, reparations antiquae, felicitatis aeternae: “Hoje a verdadeira paz desceu até nós do céu; hoje os céus derramam mel em todo o mundo; hoje brilhou para nós o dia da nova redenção, a muito esperada restauração, da eterna felicidade”.

Tais palavras como estas fazem a Liturgia do Natal da Igreja Católica, e mostram claramente como o segundo nascimento de Cristo é, na mente da Igreja, um evento de esplendor infinito, de interminável vitalidade; muitas vezes, as palavras aplicáveis ao primeiro nascimento são aplicados pela Liturgia para o segundo nascimento, como os dois nascimentos que, embora sejam atos distintos, têm uma característica comum de imensidão espiritual. Mas, o centro de toda esta gloria é a Virgem Mãe cujo ventre trouxe Aquele a Quem o Pai Eterno Diz: “No dia de teu nascimento, já possuis a realeza no esplendor da santidade; semelhante ao orvalho, eu te gerei antes da aurora.” (Salmos 109, 3).

Podemos concluir adequadamente este capítulo com a coleta do Dia de Natal em seu claro anúncio do poder espiritual contido no segundo nascimento de cristo, o nascimento através de Maria: Concede, quaesumus, omnipotens Deus, ut no Unigeniti tui nova per carnem nativitas liberet, quos sub peccati iugo vetusta vervitus tenet.

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Retirado do livro “A Maternidade Divina”, já traduzido pelo Projeto. Será publicado em breve!

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