Vida e obra de Dom Anscar Vonier – Parte 2

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Veja aqui a primeira parte: https://anscarvonier.wordpress.com/2015/03/29/vida-e-obra-de-dom-anscar-vonier-parte-1/


Buckfast_Abbey,_Buckfastleigh,_Devon_8O início da história de Buckfast é rodeado por brumas que se arrastam para baixo dele a partir das proximidades de Dartmoor. São Petroc é mencionado como tendo uma cela pela região. Outros missionários celtas e saxões também são figuras sombrias nesta escuridão. Entretanto, a única data histórica genuína vem de uma carta descoberta em Exeter no início de 1950 entre alguns documentos pertencentes à família Petre, que teve parte dos despojos na Dissolução. Este documento atribui a 1018 como a data de fundação, quando o rei Canuto concedeu ao Conde Aylward, dos condados ocidentais, o direito de fundar um mosteiro em Buckfast. Entre 960 e 993, houve uma série de mosteiros fundados em Glastonbury, um dos quais foi o de Tavistock, em 981. O rei Canuto percebeu a influência cultural e estável dos mosteiros e, como era um amigo do abade de Tavistock, é possível que este abade tivesse alguma influência na fundação de Buckfast. É possível que ele tenha fornecido alguns dos monges para a nova fundação, além dos de Winchester, onde o Regularis Concordia foi elaborado em 970 como regra para todas as casas beneditinas.

Para garantir a sobrevivência da fundação saxônica, seus fundadores dotaram-na com um número de casas senhoriais no distrito. O Domesday Book[1] mostra que a mansão real de Buckfast era composta por cerca de 300 hectares, ou seja, aproximadamente o mesmo tamanho da propriedade atual. Entretanto, possuía também cerca de 10.000 acres em casarões, algumas no norte, outras ao lado de Dartmoor e outras, as mais importantes, ao sudoeste, em direção a Kingsbridge e da costa.

Cerca de cinquenta anos após a Domesday, Buckfast aparentemente esteve em declínio. O rei Stephen, entretanto, foi solidário com os mosteiros e fundou ou revitalizou um grande número de casas, incluindo a de Furness e Quarr. Em 1136 Buckfast, junto com estes mosteiros, foi colocado sob a jurisdição da abadia de Savigny, no sul da Normândia. Para Buckfast, porém, esse era apenas mais um passo em direção a uma mudança muito mais fundamental. Em 1147 as casas de Savigny foram assumidas pelos cistercienses e Buckfast começou uma nova etapa de sua história, que duraria até sua dissolução, no século XVI.

Não sabemos exatamente onde era localizado o mosteiro Saxônico, mas os restos de uma espécie de datação retoma aos tempos saxônicos e indicam-no mais ou menos no local atual. Os Cistercienses, entretanto, foram os cuidadosos planejadores e inspetores, uma vez que perceberam todo o potencial do local. O terreno situado ao Noroeste prevê uma drenagem para o rio Dart que vai em direção ao north-south através da propriedade. Durante a segunda metade do século XII, Buckfast foi construído da forma usual – a Igreja no lado norte e o convento vindo do sul, formando um retângulo.

Para nosso objetivo, não precisamos nos deter em toda história de Buckfast até a dissolução. Podemos determinar que nunca foi uma comunidade muito grande, embora sua posição deu-lhe certa importância. Buckfast fica exatamente a meio caminho entre Exter e Plymouth, com 22 milhas em cada direção. Exter já era uma catedral e Devonporte cresceu em importância como base naval. O salão de hóspedes era, portanto, muito importante para os viajantes e, por isso, um grande edifício foi construído para abrigar a comitiva do rei Edward I entre 8 e 10 de abril de 1297. Buckfast, como a maioria dos mosteiros cistercienses na Inglaterra, estava envolvido com o comércio de lã, o que significava que tinha grandes propriedades e locais de venda estabelecidos para encorajar o comércio local.

Também é digno de menção o Abade Kyng, que foi abade por 30 anos a partir de 1476. Ele construiu um espaço para hóspedes perto do portão sul por conta do número crescente de viajantes. Ele também construiu a Torre da Abadia, que proporcionou ótimas acomodações para os mais importantes convidados. Esta Torre da Abadia faz parte da história moderna de Buckfast.

A dissolução dos mosteiros ocorreu por conta da turbulência religiosa sob Henrique VIII. Em 1535, com a morte do último abade eleito de Buckfast, John Rede, Thomas Cromwell nomeou um amigo pessoal, Gabriel Donne para tomar lugar do abade. Foi ele quem, naquele mesmo ano em 25 de fevereiro, assinou o documento de dissolução. Além da assinatura de Donne, há outras nove assinaturas de monges. A maior parte da propriedade foi comprada pelo Comissário Chefe, Sr. Thomas Denys, e a maior parte da abadia de Buckfast permaneceu com sua família pelos próximos 250 anos. Em 1806 a propriedade foi comprada por um proprietário de uma fábrica local, que derrubou a maioria dos edifícios existentes e, em seguida, construiu com as pedras das ruínas sua mansão neogótica. Ele deixou, assim, as ruínas da Torre da Abadia como uma espécie de memória do passado.


Notas:
[1] – Um registro completo da extensão, o valor da propriedade, e do passivo de terras na Inglaterra, feita em 1086 por ordem de William I.


Esta é uma tradução de uma palestra feita por Dom Leo Smith, no English Benedictine Congregation History Commission – Symposium 1996.

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