O acidente inglês – Hilaire Belloc [Parte II]

Partes anteriores: Parte I.


henry8_14275_lgA Inglaterra era uma velha província do Império Romano, com tradições cristãs duas vezes mais antigas e muito mais fortes que as dos distritos nórdicos da Alemanha, obrigados pela conquista dos exércitos de Carlos Magno e seus sucessores a aceitar a doutrina cristã, sua prática e a apartar-se da barbárie. Se o governo inglês não tivesse variado, a reação a favor da unidade, quando se produziu, teria sido avassaladora. Em uma palavra, a separação da Inglaterra e a Igreja constituiu, entre outros fatores de maior ou menor importância, o fator principal do sucesso definitivo de nosso desmembramento. O afastamento artificial dos ingleses do resto da Europa tornou permanente a separação da cristandade.

Portanto, não se trata de exagero causado por aberração patriótica ou desvio de perspectiva a que obriga a qualquer historiador sensato a insistir a respeito da importância capital da Reforma na Inglaterra; ninguém com um pouco de sentido histórico pode supor que os ingleses desejavam essa ruína de suas tradições.

Por outro lado, o movimento inglês foi o primeiro grande movimento oficial ou governamental que se afastava da unidade. O chefe nominal dos estados germânicos manteve-se firme a favor da fé, e muitas regiões germânicas independentes compartilharam essa atitude. A Escócia estava, até o momento, bem segura; também seguras (até esse momento) estavam a grande e dominante monarquia francesa e a unida monarquia espanhola, assim como os diversos estados italianos. Não fosse pela gradual e quase cega destruição da fé na Inglaterra, o que agora chamamos de “reforma” apareceria hoje na história somente como um dos tantos estalos contra a disciplina necessária de nossa cultura: uma dissenção espiritual gradualmente confinada a um distrito, dos menos importantes, da cristandade, na Alemanha do norte com seus pequenos senhores. A anomalia teria sido finalmente suprimida por meio da pressão exercida por todo o resto da Europa.

Tal como foi, a reforma chegou a significar na história o estabelecimento de uma cultura nova e deforme: a cultura protestante, junto com a velha e sã cultura tradicional de nosso sangue; uma nova cultura que, não há muito tempo, aparecia como a mais rica, mesmo que a mais lamentável dos tempos modernos, e que podia considerar-se (até a Grande Guerra) como diretora da Europa; com seus dois grandes polos de energia durante o século XIX: Berlim e Londres.

Como, então, se originou a reforma na Inglaterra e como foi confirmada e se fez duradoura? Essa é a pergunta que tratarei de contestar.

[Continua…]


Aproveitando as postagens de uma biografia de Anscar Vonier, responsável pela reconstrução de um mosteiro destruído durante a revolução protestante, resolvemos também revezar com postagens com um texto de Hilaire Belloc sobre o tema.

Será interessante conhecer a história de uma verdadeira Reforma, mesmo que pequena, e um verdadeiro Reformador (Anscar Vonier), em comparação com uma falsa reforma motivada pela ambição e vaidade humana:

Parte 1: https://anscarvonier.wordpress.com/2015/03/29/vida-e-obra-de-dom-anscar-vonier-parte-1/

Parte 2: https://anscarvonier.wordpress.com/2015/04/13/vida-e-obra-de-dom-anscar-vonier-parte-2/

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2 respostas para O acidente inglês – Hilaire Belloc [Parte II]

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