Vida e obra de Dom Anscar Vonier – Parte 3

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capture-of-bastille-1789-grangerEste resumo da história da primeira fundação de Buckfast pode definir o cenário para o segundo fundamento em que Dom Anscar Vonier teve papel predominante. Devemos começar no centro da França. Um jovem padre francês, Jean-Baptiste Muard convencera-se cada vez mais de que o trabalho missionário no deserto religioso deixado pela Revolução Francesa poderia ser melhor servido por uma comunidade religiosa. Assim, ele foi atraído para o caminho da vida beneditina e, depois de algumas discussões preliminares com o Abade Geral da congregação Cassiense, recentemente reformada, ele fez um noviciado formal no rígido mosteiro trapista em Aiguebelle no Vale do Ródano, onde tornou-se monge beneditino. Isto deve ter sido antes dos Canonistas! Ele, então, teve uma visão de Nossa Senhora, que lhe disse para andar na floresta de Vauban, até chegar a La Pierre-qui-Vire para lá fundar um mosteiro. Padre Muard fez o que lhe foi dito e, em 1849, estabeleceu-se em La-Pierre-qui-Vire, cerca de 70Km de Dijon. Sua intenção era combinar na forma de vida a ênfase tradicional beneditina sobre a liturgia, a rigidez dos Trapistas e o trabalho missionário. Se me é permitido dizer, sem querer ofender ninguém, apenas um filho da mais antiga Igreja poderia ter uma noção tão extraordinária. Seja como for, uma série de jovens reuniram-se a esta nova fundação monástica, tanto que dentro de alguns anos de morte prematura do fundador, um grande mosteiro com uma imponente igreja tinha substituído o espaço rustico que ele havia começado.

Entretanto, as nuvens da tempestade se juntaram e, em 29 de março de 1880, uma lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados franceses suprimindo todas as casas religiosas que não fossem autorizadas. Seis meses depois o golpe caiu sobre a La Pierre-qui-Vire e a comunidade foi expulsa à força do mosteiro. Alguns dos monges vieram para a Inglaterra e foram recebidos pela comunidade de Ramsgate. Ramsgate, naquele tempo, tinha uma propriedade em Leopardstown, nos arredores de Dublin, e ela foi colocada à disposição dos exilados da França. Para atuar como um interprete, um dos monges de Ramsgate, Padre Adam Hamilton, acompanhou os monges franceses para Leopardstown, onde chegaram em 28 de novembro de 2880, três semanas após a saída da França.

A medida em que a comunidade vivia da caridade de Ramsgate, era essencial que algum local adequado fosse encontrado para ser a casa permanente. Cerca de dois anos se passaram e, em seguida, numa manhã de setembro, o Padre Adam Hamilton notou na mesa uma carta assinada pelo Irmão Laurence, afirmando que uma propriedade conhecida como Abbey Buckfast estava à venda e sugeriu que fosse um local em que os exilados da França pudessem comprar. O Fr. Adam correu para falar ao Superior, Fr. Thomas Duperou, e os dois imediatamente deixaram o local e foram a Plymouth consultar o Bispo William Vaughan, além de conversar com o Dr. James Gale, que era o proprietário do imóvel. Ele havia comprado Buckfast em 1872, mas, como agora queria vendê-lo, estava ansioso para oferecer a uma comunidade religiosa. Fr. Thomas e Fr. Adam inspecionaram o local para garantir que atendesse às necessidades imediatas da comunidade. Eles concordaram em alugar o imóvel por um período de sete anos, com a opção de compra no prazo de dois anos. Os primeiros membros da comunidade chegaram em Buckfast em 28 de outubro de 1882, com o restante logo em seguida. Oito meses depois, eles foram capazes de adquirir a propriedade por 4.700 libras. Fr. Adam organizou um comitê para ajudar os monges no planejamento para a restauração da abadia. O presidente era o Senhor Clifford de Ugbrooke Park, que fica próximo de Chudleigh, que desde o primeiro dia provou ser o mais generoso amigo e benfeitor da comunidade. Ele e seus sucessores estarão sempre associados à restauração de Buckfast.

A comissão nomeou como arquiteto a Frederick Walters para supervisionar a elaboração dos planos para a reconstrução. Foi mencionado anteriormente que os restos da Torre da Abadia, que datam do século 15, tinham sido deixadas no mesmo terreno. Estes restos foram inicialmente pensados para serem as ruínas da torre da igreja medieval. Em conformidade com isso, Frederick Walters elaborou seus primeiros projetos para a reconstrução com a igreja no lado sul e os edifícios monásticos no norte. O projeto Cisterciense usual era o oposto: a igreja no norte e os edifícios ao sul. Entretanto, um dia o Ir. Paul Lascaraboura, um basco do sul da França, cavando para tirar a horta, se deparou com as bases do que acabou por ser o da igreja medieval e, ao mesmo tempo, percebeu que Buckfast tinha sido construído com o costume cisterciense. O sr. Walters imediatamente desfez seus planos e redesenhou um complexo monástico em sua essência, como é hoje. A ideia da reconstrução estava lá na teoria: para colocar em prática, entretanto, necessitou apenas de um sonho agradável, mas sem fundamento. Surgiram então eventos para torná-lo ainda mais fantástico.


Esta é uma tradução rápida de uma palestra feita por Dom Leo Smith, no English Benedictine Congregation History Commission – Symposium 1996.

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3 respostas para Vida e obra de Dom Anscar Vonier – Parte 3

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