Vida e obra de Dom Anscar Vonier – Parte 4

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Bonifácio NatterDo ponto de vista religioso, as condições da França melhoraram gradualmente e La Pierre-qui-Vire voltou a florescer. Uma parte da comunidade em Buckfast voltou para sua terra natal, não tendo o re crutamento da Inglaterra, naquele momento, como uma proposta prática. O futuro de Buckfast parecia sombrio, mas, na verdade, a Providência Divina estava no comando.

Quando os monges foram expulsos de La Pierre-qui-Vire, havia dois jovens alemães na comunidade francesa: Dom Wilfrid Schneider e Dom Bonifácio Natter. Eles eram naturais da Suábia, uma província muito católica do reino de Wurttemberg. Era costume do local que as famílias enviassem suas filhas ao convento beneditino em Oriocourt, na Alsácia, para aprender francês em uma escola dirigida por freiras. Algumas destas meninas alemães ficavam e se juntavam à comunidade. Como Oriocourt é muito distante de La Pierre-qui-Vire, era costume dos monges visitar as freiras para retiros e conferências espirituais. Eles impressionaram muito as freiras. Um deles escreveu a seu irmão, Wilfrid Shneider, sugerindo que, como ele sempre quis se tornar monge, La Pierre-qui-Vire seria o local ideal para ele. Como consequência da Revolução Francesa e das campanhas napoleônicas, não havia mais mosteiros em Wurttemberg a ponto de quem pretendia ser monge tinha que deixar sua terra natal. Assim, Wilfrid Shneider saiu de sua casa para La
Pierre-qui-Vire seguido, depois, por seu primo, Bonifácio Natter. Eles dois chegaram a Buckfast em 1882, com a comunidade de Leopardstown.

Com o retorno dos monges franceses a la Pierre-qui-Vire, o problema da sobrevivência de Buckfast aumentou. Decidiu-se que os dois alemães deveriam retornar a Suábia e recrutar o maior número possível de pessoas nas paróquias da região. Em 1884 foi estabelecida em Buckfast uma espécie de escola monástica, onde os jovens da Alemanha que mostraram sinais de vocação monástica foram educados. Por conta disso, até a eclosão da Primeira Guerra mundial, houve um fluxo muito grande desses rapazes alemães em Buckfast. Eles ou se juntavam à comunidade a partir da idade apropriada, ou tornavam-se sacerdotes seculares, ou voltavam às suas famílias. É por conta disso que temos a curiosa anomalia de uma comunidade na Inglaterra, pertencente a uma congregação italiana, numa casa dependente de um mosteiro francês, composta por alemães! Seria um presságio de um Estados Unidos da Europa?

A vida em Buckfast era a mesma de La Pierre-qui-Vire: um rígido regime Trapista aprendido por Padre Muard em Aiguebelle. Pode parecer inacreditável, mas os meninos do noviciado tinham que seguir o horário completo dos monges, exceto o ofício da noite. Eles seguiam isto até mesmo nas grandes festas! O resultado foi que somente aqueles de saúde robusta se juntaram à comunidade.

Apesar do nome aparentemente francês, Anscar Vonier era alemão puro. Sua família migrou para a Alemanha do Tirol que, naquela época, fazia parte do Império Austriaco. O futuro abade foi um dos quatorze filhos. Ele nasceu na pequena aldeia de Ringschnaitt, não muito longe da antiga cidade de Biberach, para onde a família Vonier mudou-se alguns anos depois de seu nascimento, em 11 de novembro de 1875. Como era dia da festa de São Martinho, foi dado-lhe o mesmo nome. Em 1887, quando Martinho Vonier fez treze anos, irmão Bonifácio Natter fez uma de suas viagens periódicas de recrutamento à Suábia. Ele foi para Biberach e, como resultado de negociações com o pároco de algumas das famílias, Martinho Vonier e outros cinco rapazes manifestaram sua vontade de acompanhar o padre Bonifácio para Buckfast. Foi combinado que os meninos deveriam primeiro estudar num colégio em Beauvais, dirigido pelos Padres do Espírito Santo, para aprender francês, idioma que permaneceu por muito tempo como a língua oficial da comunidade de Buckfast. Foi em Beauvais que Martinho Vonier passou a amar a cultura francesa, amor que durou até o fim de sua vida.


Esta é uma tradução rápida de uma palestra feita por Dom Leo Smith, no English Benedictine Congregation History Commission – Symposium 1996.


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