O Juízo Final – Dom Anscar Vonier

Esse texto faz parte de uma série de artigos cujo objetivo é esclarecer o pensamento de Dom Anscar Vonier a respeito de alguns pontos específicos. O tema principal do presente texto é o Juízo Final. Entretanto, há também aqui o seu pensamento sobre o Milenarismo, o qual é chamado expressamente pelo próprio Vonier de ilusão.

Retirado do livro Morte e Julgamento.

Nihil Obstat
Arthur J. Scanlon, S.T.D.,
Censor Librorum

Imprimatur
Patrick Cardinal Hayes,
Archbishop, New York
March 5, 1931

Para entender um pouco melhor a motivação, acesse este artigo: https://anscarvonier.wordpress.com/2015/10/16/alguns-esclarecimentos/


Fra-Angelico-Triptych-The-Last-JudgmentA fraseologia das Escrituras nem sempre deixa aparente se certos acontecimentos profetizados serão eventos catastróficos de curta duração ou longos períodos de visitação de Deus. Assim, em várias declarações de Cristo acerca do fim do mundo, não é fácil distinguir os tempos prolongados de tribulação das súbitas manifestações da ira de Deus, aparecendo com a rapidez do relâmpago. Muitos dos julgamentos de Deus são punições prolongadas e os castigos catastróficos são, em sua maioria, raros. Uma ideia frequentemente expressa em determinada classe da literatura moderna é que a História do Mundo é a História do Julgamento. Há muita verdade nessa visão. Não há, entretanto, dúvidas acerca da natureza do Juízo Final; ele é descrito como um evento de terrível rapidez, como algo inteiramente à parte do desenvolvimento histórico da humanidade. Sua data é tão misteriosa que ninguém a conhece, nem mesmo os anjos de Deus: “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai. [51]”.

Nem mesmo os sinais precursores desse dia servirão como indicações claras de sua hora exata: “porque sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão durante a noite. Quando (os ímpios) disserem: ‘Paz e segurança’ – então lhes sobrevirá uma destruição repentina, como as dores de uma mulher grávida, e não escaparão. [52]”. O Juízo Final, portanto, deve ser considerado por nós como um grande mistério, tanto em relação a sua data quanto em relação a sua natureza e propósito. Podemos, por um lado, entender o significado desses julgamentos temporais de que já tratamos; podemos até mesmo compreender a doutrina das relações de Deus com a alma na morte; mas, quando chegamos ao Juízo Final, estamos na presença de um dogma inteiramente fora de toda experiência e com o qual não temos nenhum tipo de comparação. Sabiamente, na passagem citada num capítulo anterior, São Tomás considera o Juízo Final como sendo o equivalente à criação de todas as coisas do nada. Nenhuma medida finita pode ser aplicada a eventos tão grandes, pois são atos de escala infinita. É verdade que várias dicas muito preciosas são espalhadas pelos escritores inspirados quanto à sua tremenda importância, mas as poucas sugestões dadas são, em si mesmas, alusões a possibilidades além de nosso alcance. A ideia mais recorrente é a de que Deus vai revelar todas as coisas naquele dia; todavia, é fácil ver que essa revelação é um mistério, um grande mistério acima de todas as palavras. Logo, devemos exercer nossa fé e acreditar que Deus tornará manifestas todas as coisas, como acreditamos que, no princípio, Ele criou a luz. Como essa revelação ocorrerá – nenhuma mente finita pode saber, pois é verdadeiramente a revelação de algo infinito – a total economia da graça de Deus, por um lado, e todo o alcance do livre arbítrio criado, por outro; de modo que não apenas fatos, mas possibilidades serão reveladas, a fim de que cada olho descubra a providência de Deus em toda sua perfeição.

Nem estaria em harmonia com o pensamento católico dizer que o Juízo Final nada mais é que o início da eternidade ou do estado de eternidade. Será um evento, um ato de passagem de duração finita, não uma condição perpétua. Haverá um momento quando o grande julgamento se iniciar e haverá outro momento quanto tiver fim, embora seus resultados sejam intermináveis. Em outras palavras, será um ato de Deus como nunca houve e como nunca haverá novamente. A raça humana nunca mais será reunida inteiramente como nessa hora suprema, mas o acontecimento da assembleia de todos os seres humanos que existiram desde sempre é das poucas indicações claras acerca do ato de Deus que foi revelado, não obstante a raça, assim reunida, vá ser separada novamente e por toda a eternidade: “Quando, pois, vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se sentará sobre o trono de sua majestade. Todas as nações serão congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. [53]”. Uma revelação será feita, então, com efeitos verdadeiramente miraculosos, mas transitórios, como um ato divino. Essa revelação será dada tanto aos maus quanto aos eleitos. É a manifestação da justiça e santidade de Deus, diferente, em gênero, da Visão de Deus que os eleitos, em suas almas, desfrutam mesmo antes do grande dia. Nada além de um ato da onipotência divina pode explicar essa manifestação da justiça de Deus para toda carne. Esse grande evento é invariavelmente chamado de “dia do Senhor”, como se fosse um evento muito diferente de todos os outros acontecimentos históricos, como o único dia digno do Filho de Deus fora da eternidade. Sua importância será proporcional à da Pessoa do Deus Encarnado.

O dia do Senhor consiste em quatro manifestações da onipotência de Deus cuja realidade literal não pode ser posta em dúvida por nenhum católico: haverá a destruição do mundo físico através do fogo; haverá a ressurreição de todos os mortos; haverá a revelação de todas as coisas ocultas da consciência do homem e da providência de Deus; e, finalmente, haverá a separação dos bons e dos maus. O dia do Senhor conterá tudo isso, e o termo “Juízo Final” pode ser aplicado a toda essa complexa operação divina. É certo que a Ressurreição dos mortos precederá o Julgamento propriamente dito; não há espaço para dúvida a respeito da sequência dos acontecimentos em relação à conflagração universal, mas parece que o fogo no qual todos os homens vivos encontrarão a morte será o primeiro ato nesse tremendo drama. Longe das ruínas do mundo que existia até então, um novo mundo criado será verdadeiramente parte da Ressurreição. Será nesse novo mundo que o Julgamento ocorrerá; será nesse novo mundo que Cristo surgirá em glória e majestade. São Tomás adota essa ordem para esses grandes mistérios. O mundo será purificado na chama e os réprobos serão expulsos dele, pois são indignos dessa nova perfeição.

É evidente que nenhuma apresentação pictórica pode ser feita para essa vasta mudança de todas as coisas. As grandes ideias das Escrituras ainda são as expressões mais potentes e satisfatórias. Sempre fracassaremos ao tentar descrever o Juízo Final, mesmo que o artista seja Michelangelo. Tomemos em seu significado literal as palavras como as que seguem, nas quais os quatro grandes fatos são descritos, e estaremos próximos de visualizar esta solene verdade conforme for possível ao homem.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos se convertam à penitência. Todavia, como um ladrão, virá o dia do Senhor, no qual passarão os céus com grande estrondo, e os elementos com o calor se dissolverão e a terra como as obras que há nela será consumida. Portanto, visto que todas estas coisas estão destinadas a ser desfeitas, quais não deveis ser em piedade e santidade de vida, esperando e correndo ao encontro da vinda do dia de Deus, no qual os céus, ardendo, se desfarão, e os elementos, com o ardor do fogo, se hão de fundir! Realmente esperamos, segundo a sua promessa, novos céus e uma nova terra, nos quais habite a sua justiça. [54]”.

“Não vos admireis disso, porque virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a sua voz, e os que tiverem feitos obras boas sairão para a ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más, sairão ressuscitados para a condenação. [55]”.
“E mostram que o que a lei ordena está escrito nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua própria consciência e os seus pensamentos, que os acusam (se fizerem o mal) ou defendem (se fizerem o bem). Isto ver-se-á naquele dia em que Deus, segundo o meu Evangelho, há de julgar as coisas ocultas dos homens por meio de Jesus Cristo. [56]”.
“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. […] Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos. [57]”.

Cristo fará o julgamento em Pessoa, aparecerá em toda sua glória como Deus-Homem. Se sua vinda será antes ou depois da conflagração e a Ressurreição, não é possível dizer; mas que ele executará o julgamento, está na essência de nosso Credo: Qui venturus est judicare vivos et mortuos. Muito mais, de fato, poderia ser dito acerca das muitas especulações dos teólogos sobre coisas de tamanha magnitude; mas há apenas um artigo de São Tomás que, em sua dignidade, não é inadequado aqui: “Se o julgamento for feito boca a boca. É difícil ter qualquer certeza nesta matéria; entretanto, parece mais provável que todo julgamento do ponto de vista da discussão, do ponto de vista da acusação dos maus, do louvor dos bons e do ponto de vista de uma sentença pronunciada sobre ambas as classes, será realizado somente mentalmente. Pois se as obras de cada um fossem faladas oralmente, um longo período de tempo, além de todo conceito, seria necessário”[58].

Há nos Evangelhos e nas Epístolas palavras de grande solenidade que nos compelem a interromper por um momento nossas considerações sobre o Juízo Final. Cristo e seus Apóstolos declaram, com ênfase máxima, que os eleitos também serão juízes; que eles, nesse dia, estarão assentados majestosamente como juízes: “Jesus disse-lhes: ‘Em verdade vos digo que, no dia da regeneração, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da sua glória, vós, que me seguistes, também estareis sentados sobre doze tronos, e julgareis as doze tribos de Israel. [59]”. São Paulo faz uso dessa grande esperança cristã a fim de desprezar a belicosidade de alguns coríntios que foram a juízo perante os incrédulos: “Porventura não sabeis que os santos (em virtude da sua união com Jesus) hão de julgar este mundo? E, se o mundo há de ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas desta vida? Portanto, se tiverdes litígios por tais coisas, estabelecei para as julgar os que são menos considerados na Igreja. [60]”. Tais palavras são muito claras para admitir qualquer outra interpretação que não seja literal. Haverá, evidentemente, uma participação ativa dos eleitos, ou pelo menos de alguns deles, na condenação final do mundo. Os Pais usam livremente o termo “assessores”, lembrando, sem dúvida, uma cena familiar no tribunal Romano, de homens que se assentam ao lado do juiz e dão apoio e suporte, com sua presença, ao seu veredicto; assim, era natural para eles dizer que os santos serão assessores de Cristo nesse dia. A prática de pobreza religiosa em vida ou o mérito do martírio destacariam uma pessoa como adequada para ser assessora de Cristo quando ele pronunciar seu terrível anátema sobre toda a humanidade perversa. Mas mesmo sem metáforas deve ser fácil para nós, de algum modo, entender que o verdadeiro contraste entre a santidade elevada de tantos eleitos e a escuridão dos réprobos será um julgamento severo acima de quaisquer palavras.

Não poderíamos concluir este capítulo sem fazer referência a um assunto controverso entre amigos e inimigos. Os inimigos da divindade de Cristo muitas vezes têm dito – e ainda dizem – que Jesus tinha o que pode se pode chamar de uma obsessão escatológica; ele estava sob a impressão de que o mundo teria logo um fim, e anunciou sua aparência de Juiz dos vivos e mortos como um evento não muito distante, que ocorreria no tempo em que seus inimigos ainda vivessem. E, como tal catástrofe evidentemente não ocorreu, o clamor de Cristo como sendo Deus é uma ambição insustentável. Muitos volumes foram escritos sobre esse assunto. É certo que Nosso Senhor avisou os homens com quem viveu, especialmente os Apóstolos, de que tivessem em mente sempre seu Senhor e Mestre vindo em um momento inesperado, encontrando-os adormecidos. Por outro lado, é tão evidente que Cristo deixa a hora do advento em grande incerteza que ninguém pode concluir a partir de suas palavras que ele ensinou uma vinda num futuro imediato. Existe, em todas essas passagens nas quais há ou vigilância persistente ou incerteza da data do retorno do Mestre, uma combinação de um futuro próximo e misteriosamente remoto e sem paralelo. Assim, falando de um futuro próximo, Cristo diz: “Estai de sobreaviso, vigiai, porque não sabeis quando será o momento. Será como um homem que, empreendendo uma viagem, deixou a sua casa, deu autoridade aos seus servos, indicando a cada um a sua tarefa, e ordenou ao porteiro que estivesse vigilante. Vigiai, pois, visto que não sabeis quando virá o senhor da casa, se de tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de repente, vos não encontre dormindo. O que eu, pois, digo a vós, o digo a todos: Vigiai! [61]”. Tudo isso soa como se Cristo quisesse que seus Apóstolos esperassem a possibilidade do Julgamento a qualquer momento. Ainda nos versos anteriores, “A respeito, porém, desse dia ou dessa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai. [62]”, temos a afirmação mais enfática do caráter incognoscível do grande evento.

Então, temos novamente uma descrição do Nosso Senhor do reino de Deus como algo catastrófico: “Dizia também: ‘O reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra. Dorme e se levanta, noite e dia, e a semente brota e cresce sem ele saber como. Porque a terra por si mesma produz, primeiramente, a erva, depois a espiga, e por último o trigo grado na espiga. E, quando o fruto está maduro, mete logo a foice, porque está chegado o tempo da ceifa.’ [63]”. Vemos aqui a história do mundo descrita pela metáfora de um campo amadurecido: o próprio Semeador, que evidentemente é Cristo, é como alguém que deixa a semente fazer seu próprio trabalho, como alguém que está ausente. Poderíamos multiplicar exemplos dessa misteriosa mistura de duas ideias, a necessidade de vigilância e a distância da colheita final. Entretanto, se tivermos sempre em mente o que foi dito num capítulo anterior, como as operações judiciais de Cristo são incessantes, podemos entender rapidamente a necessidade do quão necessário é que cada homem esteja sempre vigilante. A vinda de Cristo para cada um na morte é um julgamento completo, e aquele que não está preparado para essa vinda é verdadeiramente um homem insensato. Sendo assim, aquelas parábolas bem conhecidas sobre a necessidade de vigilância têm sido aplicadas pelos doutores cristãos tanto a respeito do ser humano individual, sempre em perigo de morte, quanto a toda a raça humana, sempre no perigo do catastrófico advento de Cristo. Essa é, realmente, uma compreensão divina da situação; o que é verdadeiro para o homem em sua universalidade é também verdade individualmente. Com a certeza de que Cristo em nenhum momento deixa de ser Juiz, facilmente compreenderemos a completa atualidade de todas as suas parábolas e afirmações sobre a imprudência de não estar preparado para sua vinda. Cair nas mãos do Deus vivo é uma coisa terrível. Mesmo sem estarmos esperando pelo novo mundo, servimos a Deus agora com “Portanto, recebendo nós um reino inabalável, mostremo-nos reconhecidos e prestemos a Deus um culto que lhe seja agradável, com reverência e temor. Em realidade, o nosso Deus é um fogo devorador. [64]”.

Quaisquer que possam ter sido os pensamentos dos Apóstolos antes do Pentecoste acerca do estabelecimento do reino triunfante de seu Mestre no decorrer da vida, é certo que, quando eles iniciaram seu grande ministério, a vinda catastrófica de Cristo foi tão parte de sua pregação quanto a vinda de seu Senhor. Era uma certeza; a data pouco importava na prática, pois os cristãos sempre tinham de estar prontos: “Mas os céus e a terra, que agora existem, são guardados pela mesma palavra e reservados para o fogo, no dia do juízo e da perdição dos homens ímpios. Há porém, uma coisa, caríssimos, que não deveis ignorar: é que um dia, diante do Senhor, é como mil anos (diante dos homens), e mil anos (diante dos homens) como um dia (diante do Senhor). Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos se convertam à penitência. Todavia, como um ladrão, virá o dia do Senhor, no qual passarão os céus com grande estrondo, e os elementos com calor se dissolverão e a terra como as obras que há nela será consumida. [65]”.

Outra forma de ilusão sobre o grande assunto da segunda vinda de Cristo tem sido mais universal, mais persistente e é, de certo modo, mais desculpável. Essa forma de sonho religioso é mais antiga que os Evangelhos; é a esperança do homem do milênio. Tem sempre sido a fé de certas pessoas pias, cujas almas têm sido afligidas pelas iniquidades mundanas, a de que haveria sobre a terra algum dia um magnificente reino de Deus. Com o advento do cristianismo, Cristo seria, é claro, o Rei dessa feliz era de santidade humana. Não é fácil se opor a essas pessoas e provar que estão erradas quando professam esperança em um grandioso triunfo de Cristo sobre a terra antes da consumação final de todas as coisas. Esse tipo de ocorrência não é excluído, não é impossível, não há certeza de que não possa haver um período prolongado de cristianismo triunfante antes do fim. O ponto de divisão entre as aspirações legítimas de almas devotas e as aberrações de um milenarismo falso é este: os Quialistas – como os milenaristas são chamados, a partir da palavra grega “mil” – parecem esperar uma vinda de Cristo e uma presença de sua glória e majestade sobre a terra que não seria a consumação de todas as coisas, mas uma porção da história da humanidade. Isso, porém, não está consoante com o dogma católico. A vinda de Cristo no segundo advento – a Parúsia, como é chamada tecnicamente –, na cristandade ortodoxa, é a consumação de todas as coisas, o fim da história humana. Se antes desse final há de ter um período, mais ou menos prolongado, de santidade triunfante, isso resultará não da aparição triunfante da Pessoa de Cristo em sua Majestade, mas da operação dos poderes de santificação que estão trabalhando agora: o Santo Espírito e os Sacramentos da Igreja. Os Quialistas de todas as épocas e opiniões, e muitos podem ser encontrados hoje, parecem desesperar não somente do mundo, mas até mesmo da dispensação da graça inaugurada no Pentecoste; eles esperam, a partir da presença visível de Cristo, uma completa conversão do mundo, como se um resultado feliz não se fizesse de outra forma. Ainda têm de aprender o significado destas palavras de Cristo aos Apóstolos: “Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. [66]”.

A Igreja Católica tem plena confiança na presente ordem da vida sobrenatural, e se ela anseia o retorno de seu Cristo, não é porque desespera do trabalho que lhe foi dado, mas porque deseja ver esse trabalho manifesto a todos os homens, para que se evidenciem as coisas maravilhosas que Cristo realizou aos homens antes de sua ascensão ao céu.


Notas:

51.    Mateus XXIV, 36.
52.    1 Tessalonicenses V, 2-3.
53.    Mateus XXV, 31-33.
54.    2 Pedro III, 9-13.
55.    João V, 28-29.
56.    Romanos II, 15-16.
57.    Mateus XXV 34; XXV, 41.
58.    Suppl. LXXXVIII, art. 2.
59.    Mateus XIX, 28.
60.    1 Coríntios VI, 2-4.
61.    Marcos XIII, 33-37.
62.    Ibid. 32.
63.    Marcos IV, 26-29.
64.    1 Hebreus XII, 28-29.
65.    2 Pedro III, 7-10.
66.    João XVII, 17.

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