Dom Vonier “pancristista”?

Antes e continuar, é interessante notar que o Papa estava falando de outro erro do qual o pe. Penido usou os mesmos raciocínios para o que considerava ser o pensamento de D. Vonier. Entretanto, não poucas foram as pessoas induzidas a pensar que Dom Vonier ensinou o “pancristismo” e que Pio XII o condenou por isso, o que qualquer pessoa que leia tanto a encíclica quanto o texto do pe. Penido verá que não é o caso.

Texto do pe. Penido: O Pe. L. Kösters, S. J., Die Kirche unseres Glaubens, Freiburg, 1935, p. 151-152, já assinalava os dois erros de quietismo e de panteísmo como inquinando certas exposições da doutrina do Corpo Místico. Como exemplo de “pancristismo”, apresenta ele o exegeta protestante A. Deissmann, que, em seu livro Die ntl. Formel “in Christo Jesu”, Marburg, 1892, dava à expressão: “em Jesus”, tão característica de S. Paulo (E, 59, 33 [= EncíclicaMystici Corporis, no trecho à p. 59, linha 33 seg. de OCM. – N. do T.]) um sentido local: os fiéis estão no Cristo pneumático, como vivem no ar, os peixes na água e as plantas na terra!

Até o momento ele não se refere a D. Vonier, mas menciona o erro de um protestante que aplicava o sentido local à expressão “em Jesus” (assunto condenado expressamente na encíclica).

Segue o pe. Penido na explicação da condenação a respeito da interpretação sobre a confusão entre Cristo e a Igreja: Feckes (op. cit.(**), p. 38-39) indicava que a metáfora de Corpo não deve ser interpretada como se os membros perdessem a liberdade e independência para se confundirem em Cristo. Observa que a metáfora nupcial (a Igreja “Esposa”) vem corrigir toda tendência a um “pancristismo místico”. Mais adiante (p. 164) afirma que Cristo é o princípio quase-formal da Igreja entendendo por aí que a Igreja deve a Cristo a existência e as forças que a fazem viver, sem que haja, todavia, confusão de essências. Não deve entrar na cogitação dos fiéis um “cristo-misticismo-panteístico” porque a fusão da Igreja e de Cristo em um novo indivíduo seria contra todo pensamento lógico (que o Logos leva em si em virtude de sua essência) e contra todo sentido religioso, pois atribuiria pessoalmente a Cristo todas as deficiências, faltas e pecados dos fiéis.

Chamo atenção novamente sobre a origem do termo “pancristismo” que não deveria ter sido aplicado a Dom Vonier mesmo se ele realmente tivesse cometido o outro erro em que foi acusado (que veremos não ser verdade). O “pancristismo” é referente a confusão entre Cristo e a Igreja, não entre o Espírito Santo e a Igreja. Nem mesmo o pe. Penido aplica esse termo ao que falou sobre D. Vonier. Então, qual o motivo de terem atribuído esse termo ao autor?

Pe. Penido continua: “A doutrina da Igreja como prolongamento, extensão, continuação da Encarnação redentora, foi posta em magnífico realce por K. Feckes,Das Mysterium der heiligen Kirche, Paderborn, 1935. Pela profundeza dos conceitos, o vigor da dialética, a clareza da exposição, a ortodoxia da doutrina, bem mereceria esse volume uma tradução portuguesa – quando mais não fosse, para servir de antídoto ao malogrado volume de D. Vonier, de título idêntico.” (OCM, p. 136, nota 13).

Ainda trataremos isso com mais detalhe, mas por hora basta essa citação de que Dom Vonier também pensava a mesma coisa a respeito: Não é a Redenção uma obra descontínua. Cristo mesmo a cumpriu toda. Mas a sua presença interior na Igreja tomou o lugar da sua presença exterior. […] Pois a característica, desta epifania do Paráclito, começada no dia de Pentecostes, consiste nisto, que o Espirito Santo fala e age ostensivamente e que as suas obras são visíveis. […] Não quero dizer que o Espírito Santo tenha resgatado a humanidade, mas é exato o afirmar com São Paulo que “Cristo, pelo Espirito Santo, se ofereceu a si mesmo, sem mácula, a Deus” como vítima da nossa salvação.

Pe. Penido mencionando o pe. K. Feckes: “A Igreja militante reproduz na sua vida, ou antes prolonga pelos séculos afora, os ofícios e estados não já do Cristo celeste – como sonhou D. Vonier – senão de Cristo Viageiro.

D. Vonier em outra obra (lembre-se que ainda não começamos a avaliar a conferência sobre o Mistério da Igreja): Uma das mais profundas originalidades do cristianismo consiste no seguinte: o seu divino fundador anuncia, como parte da sua mensagem, que a condição normal de seus discípulos será a de sofrer toda a sorte de opressões e de perseguições. Não fosse o otimismo que lhe faz declarar que todo sofrimento conduz à vitória, Cristo poderia ser chamado profeta de desgraças, porque jamais alguém falou do futuro com cores mais sombrias do que ele. […] Outras tribulações, de gênero especial, esperam os seus discípulos e a sua Igreja, precisamente por lhe pertencerem (colocar Jo XV 18-21). Os cristãos serão perseguidos como foi o próprio Cristo. Serão entregues à morte pelos homens que pensarão honrar assim a Deus. Pois não foi o divino Mestre crucificado por terem os sacerdotes da antiga Lei declarado que era blasfemador? […] Os milhares de anos de história da Igreja com todas as narrações de perseguições, comparados com a glória da vida futura, não são realmente mais do que os trinta e três anos da vida mortal de Cristo em estado de humilhação. (A Vitória de Cristo, p. 129).

Em outras palavras: “os milhares de anos de história da Igreja com todas as narrações de perseguições, comparados com a glória da vida futura” , “reproduz na sua vida, ou antes prolonga pelos séculos afora […] Cristo Viageiro” (“não são realmente mais do que os trinta e três anos da vida mortal de Cristo em estado de humilhação”). E nada diferente do que disse o Papa Pio XII: “O que sucede quando ela, seguindo as pisadas de seu Fundador, ensina, governa, e imola o divino sacrifício; quando abraça os conselhos evangélicos e reproduz em si mesma a pobreza, a obediência e a virgindade do Redentor; quando, nos muitos e variados Institutos que como joias a adornam, nos faz em certo modo ver a Cristo, ora no monte contemplando, ora pregando às turbas, ora sarando os enfermos e feridos e convertendo os pecadores, ora enfim fazendo bem a todos. Não é pois para admirar se ela, enquanto vive nesta terra, se veja também, como Cristo, exposta a perseguições, vexações e sofrimentos.”

Pe. Penido: D. Vonier, em conferências pronunciadas no ano de 1934 em Salzburg (estampadas, logo em seguida, num volume, em má hora traduzido para o português sob o título: O Mistério da Igreja) desposou uma forma congênere de panteísmo místico, afirmando a união hipostática não já entre Cristo e a Igreja, senão entre o Espírito Santo e a Igreja. Iguais são os inconvenientes, aliás assinalados implicitamente pela Encíclica ao tratar da habitação, nas almas dos fiéis, do divino Espírito Santo. (E, 60, 35.)(***)

Antes de mencionar o que D. Vonier disse em outros textos, note, novamente, que o pe. Penido não chama isso de Pancristismo, justamente por se tratar do Espírito Santo. Nesse momento não posso deixar de pensar na quantidade de pessoas que se assustaram e se deixaram levar só pelo nome. Entretanto, chamar “Pancristismo” algo relacionado ao Espírito Santo é a mesma coisa de falar de um “Panamericano da Arábia”.

Três livros de D. Vonier dedicam alguns capítulos específicos ao assunto, além do “Mistério da Igreja”. Em 1930, D. Vonier escreveu o livro chamado “A Nova e Eterna Aliança”, em 1933 o livro “Christianus” e em 1935 escreveu “O Espírito e a Noiva”. Ora, a palestra sobre o “Mistério da Igreja” ocorreu em 1933. Temos, então, um livro escrito 3 anos antes da palestra, um escrito no mesmo ano da palestra e outro escrito 2 anos depois. Isso é importante por dois motivos: (1) eles demonstram uma continuidade no pensamento de D. Vonier e (2) em alguns casos ele usa, se não as mesmas palavras, o mesmo esquema argumentativo. Isso prova que o pensamento de Dom Vonier em 1935 era o mesmo de 1930 e 1933, mostrando qual era realmente seu pensamento, apesar de possíveis erros na palestra. Entretanto, também avaliaremos o “Mistério da Igreja”, no seu devido tempo e nas suas devidas proporções. Mas vamos ao que D. Vonier disse sobre o tema. Os comentários entre colchetes são meus:

Dom Vonier sobre a relação entre o Espírito Santo e a Igreja:

1930, A Nova e Eterna Aliança: “Vejamos agora o grande acontecimento do dia de Pentecostes. Qual o dom concedido à Igreja nesse dia? A Igreja recebeu de certo um dom inteiramente novo. Não basta dizer que o Espirito Santo foi dado nesse momento com maior intensidade do que o fora antes. Não! O pentecostes realizado dez dias depois da ascensão do Senhor foi acontecimento único na história do mundo, único como a última Ceia, único como a morte de Cristo no Calvário! O Espírito Santo não tinha sido ainda dado. Ele foi dado à humanidade nessa hora para sempre bendita, hora nona do quinquagésimo dia depois da Páscoa da Redenção!

O Espírito Santo desde a criação do homem tem visitado os justos. D’Ele se diz no Credo que falou pela boca dos profetas: Qui locutus est per profetas. De certo, ninguém pode ser santificado sem o Espírito de Deus. Mas o Pentecostes do Novo Testamento é um fato imenso, um evento inteiramente novo. Desde então o Paráclito está conosco duma maneira desconhecida dos profetas e dos reis que desejaram ver o que nós vemos, e não viram; ouvir o que nos ouvimos, e não ouviram. Não há exagero em dizer que a presença do Espírito Santo na Igreja é tão nova quanto a do Filho de Deus desde a Encarnação.

Deus foi sempre, de certa maneira, companheiro do homem, passeou com ele, fez do homem seu amigo; mas não se pode dizer que Ele se tenha feito homem e vivido no mundo entre os homens, como Ele habita entre nós, desde que se cumpriu na Virgem Maria o que tinha sido predito pelo Senhor. É a Encarnação um modo inteiramente novo para Deus de estar com o homem, de ser a vida espiritual do homem.

A habitação do Espírito Santo nas almas dos fiéis pertence ao mesmo plano de realidades. É também nova quanto ao modo; poderia dizer-se mesmo que é tão original como a natividade do Verbo humanado. No entanto, seria falso falar-se duma Encarnação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, porque o Espírito Santo não assumiu a natureza humana, como o fez o Verbo. O que quero dizer é que a vinda do Paráclito é inteiramente análoga [“análogo” não é “idêntico”] à vinda do Filho de Deus. Em ambos os casos temos uma verdadeira descida de Deus ao mundo, descensos de coelho, como jamais acontecera antes.

Os teólogos têm procurado compreender e explicar a maneira por que esse novo acontecimento difere profundamente das outras manifestações do Espírito Santo no mundo antigo. Mas acharam-se sempre diante dum mistério tão grande quanto o da Encarnação. O modo pelo qual Deus se fez homem é um segredo que ele não revelou. Assim também é um segredo de Deus a maneira de o Espírito Santo habitar nas almas dos justos. Entretanto, nos dois casos, ambos sublimes, é verdade que uma Pessoa divina, e não outra pessoa, desceu do céu para habitar com o homem neste mundo.

Poderia repetir aqui o que os teólogos escreveram para esclarecer a natureza dessa nova habitação do Paráclito.

Todavia os maiores entre eles confessam que tudo o que dizem a este respeito é como que palavras balbuciadas por crianças. Explicam, por exemplo, que a vinda do Espírito Santo confere à alma cristã uma orientação especial para a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Dizem, com São Paulo, que o cristão fica assinalado com o selo do Espírito Santo, assim como é assinalado pelo batismo com o sinal de Cristo. […] Penso, porém, que todas as proposições da teologia, relativas a esta matéria, são salvaguardadas por esta outra verdade: A vinda do Filho de Deus e a vinda do Espírito Santo são dois fatos semelhantes, análogos, posto que o Verbo se tenha unido substancialmente à natureza humana, ao passo que o Espírito Santo se tornou, por assim dizer [“por assim dizer” não quer dizer que tomou no sentido exato da palavra. É “por assim dizer” pois são “análogos”. Se são apenas análogos, não são, por consequência, idênticos. Veremos adiante que ele se refere a tudo isso como metáforas], a alma que dá a vida a toda a Igreja.

Estas considerações aumentam consideravelmente a importância teológica do livro dos Atos dos Apóstolos, que é de fato o Evangelho do Espírito Santo, assim como as narrações dos quatro evangelistas são o Evangelho do Verbo Encarnado. Encontramos nos Atos a história das manifestações e das operações do Espírito Santo, e nada nos impede de considerar esta história como o quadro da situação normal da Igreja de Jesus Cristo.”

1933, Christianus: Não seria admissível falar em Encarnação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, pois o Espírito não se fez carne como a Palavra se fez carne. O que eu quero dizer é que o advento do Paráclito é do mesmo tipo que a vinda do Filho de Deus: em ambos os casos há um verdadeiro descensus de coelo, uma verdadeira descida do céu de uma forma que não houve antes. De que forma esse novo advento difere tão profundamente dos sussurros do Espírito no mundo antigo antes de Cristo, os teólogos têm tentado compreender e explicar; mas eles são confrontados com um mistério, assim como o mistério da Encarnação. Assim como é segredo de Deus a forma que o Filho de Deus se fez homem, também é seu segredo como o Espírito de Deus habita no homem; mas, em ambos os casos, é literalmente verdade que seja uma Pessoa Divina e ninguém mais falando com os homens aqui na terra. Eu poderia repetir tudo o que foi escrito pelos teólogos, para explicar o significado dessa nova permanência do Paráclito. Mas o mais sábio deles confessa que todas as suas palavras são balbucios infantis. Eles afirmam, por exemplo, que através da vinda do Espírito Santo a alma cristã tem uma orientação especial e exclusiva pela Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Com São Paulo eles dizem que somos selados com o Espírito Santo, assim como somos selados com o sinal de Cristo no Batismo. Essa é a uma clara insinuação de que o Paráclito é para nós tanto quanto a Palavra Encarnada. Mas eu acho suficiente para todos os fins da teologia cristã afirmar essa paridade entre o advento do Filho de Deus e a descida do Espírito Santo, embora um fez-se carne, enquanto outro, por assim dizer, toda a Igreja para si. […] Entramos mais uma vez na questão do mistério do primeiro Pentecostes. Qual foi o dom concedido à Igreja naquele dia? Que um presente inteiramente novo veio à Igreja é evidente em todo o gênio do Novo Testamento. Não seria suficiente dizer que o Espírito Santo foi dado no Pentecostes em uma medida mais completa do que ocorria antes. A descida do Espírito que ocorreu dez dias depois da Ascensão do Senhor foi uma coisa única na história do mundo, tão única quanto a Última Ceia, tão única quanto foi a morte de Cristo no Calvário. O Espírito não tinha sido dado antes, mas foi concedido naquele abençoado momento, na nona hora do quinquagésimo dia depois da Páscoa da Redenção.

1933, O Espírito e a Noiva: “A Igreja é tão verdadeiramente o símbolo do Espírito como a pomba no batismo de Cristo e, através desse fato, a espiritualidade da Igreja é diferenciada de todas as outras espiritualidades possíveis, pois é uma espiritualidade que é, ao mesmo tempo um sinal, um testemunho, uma prova de que o Espírito está nesta terra. […] Nesse sentido, podemos dar rosto a uma expressão que é querida por muitos escritores eclesiásticos; eles dizem que o Espírito Santo “encarnou-se” na Igreja, como a Segunda Pessoa da Trindade encarnou-se em uma natureza humana individual. A única exceção que tomamos para tal frase é o uso da palavra “encarnada” no que diz respeito ao espírito. Como dissemos em um capítulo anterior, a vinda do Espírito é tão literal quanto a vinda da palavra, mas, em vez de tomar carne, vestiu-se em sinais.

Para não repetir muitas coisas, observe a parte em que ele fala expressamente que isso tudo é metáfora no último item.

1934, A Vitória de Cristo: A vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, foi, sob todos os pontos de vista, um fenômeno tão grande na economia divina da salvação do homem como a Encarnação do Verbo no seio da Santíssima Virgem. Difere, porém, no modo. O Filho veio assumindo a natureza humana: o Espírito Santo, dando sinais evidentes e inegáveis da sua vinda. (Vitória de Cristo)

Portanto, Dom Vonier pelo menos antes da conferência, durante o ano da conferência e depois da conferência não acreditava num “pancritismo” com Espírito Santo (“Pancristismo”, claro, segundo o entendimento de algumas pessoas). Talvez esse fosse realmente o pensamento dele, não?

Pe. Penido: Como o erro logo prolifera, já em 1937 escrevia G. Feuerer (Unsere Kirche im Kommen, Freiburg i. B., p. 183) que podemos falar numa espécie de encarnação do Espírito Santo na Igreja, e referia-se explicitamente a D. Vonier. Este, por um estranho equívoco, pretendeu colocar a heresia sob o insigne patrocínio do Cardeal Manning (O Mistério da Igreja, trad. portug., p. 58) quando o célebre purpurado excluíra, explicitamente, na sua teoria, toda união hipostática entre o Espírito Santo e a Igreja. (Ver o texto autêntico de Manning na obra citada do Pe. E. Mersch [= Le Corps Mystique du Christ, 2.ª ed., Paris, 1936], t. II, p. 357 nota.)

Já sabemos o que Dom Vonier pensava sobre o assunto, não atribuía nenhuma união hipostática e falou expressamente que “seria falso falar-se duma Encarnação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade”.

Pe. Penido: A guerra impediu que recebêssemos um artigo do Pe. Erich Przywara, S. J.: “Corpus Christi Mysticium, Eine Bilanz”, publicado na Zeitschrift für Aszese und Mystik, 1940, p. 197-215. Conhecemo-lo apenas por uma recensão publicada por uma revista suíça, segundo a qual o douto jesuíta atribui a origem da “crise” reinante entre os teólogos germânicos a propósito do Corpo Místico, ao filósofo Max Scheler o qual, em artigos publicados em 1916, opunha o Corpo Místico à Igreja jurídica; donde alguns suprimiram todas as distâncias hierárquicas, operaram a fusão entre Cristo e os cristãos por uma espécie de monstruosa transubstanciação, de maneira a formarem uma só carne, como afirma um folheto muito divulgado, impresso em 1939 e intitulado: Der Christ als Christus. De outro lado, reagindo contra esses devaneios, certos autores como L. Deimel, Leib Christi, Sinn und Grenzen einer Deutung des innerkirchlichen Lebens, Freiburg, 1940, minimizam a noção de Corpo Místico, ao ponto de anulá-la praticamente.

Nessa parte não há nenhuma relação aqui com D. Vonier. Entretanto, serviu para dar volume ao texto do blog. E a título de curiosidade, D. Vonier falou uma única vez sobre a hipostatização da Igreja, não do Espírito Santo, mas em termos completamente diferentes: “O ponto em questão é o que pode ser denominado hipostatização da Igreja, isto é, a prática de falar dela como ser fosse uma pessoa. Ela é chamada de Noiva, para nos limitarmos ao título do livro. Essas hipostatizações são familiares na literatura humana e na imaginação popular. São dados nomes pessoais para países; eles são até mesmo amados como belas figuras, principalmente do sexo feminino. Isso ocorre sempre, mas não precisa estar entre aspas. Esse processo de hispotasiar é mais justificado e tem base mais verdadeira que o caso do afeto nacional e o idealismo racial? É evidente que no que diz respeito à Igreja, a idealização ocorreu muito antes que existisse como um sentimento nacional: é tão antigo quanto a própria Cristandade. Mas qualquer que seja a explicação psicológica deste processo na vida humana comum, é certo que existe na Igreja um elemento que é único e não pode ser encontrado na natureza. O Espírito de Deus, uma Pessoa Divina, é para as almas cristãs espalhadas de todos os tempos e climas um vínculo de vida e união que não é sequer imaginável em outros lugares. A presença desse Espírito entre os fiéis, como espero mostrar neste livro, é mais do que a santificação separada de muitos milhares, ou melhor, milhões de almas individuais. Há o mistério de uma vida: a natureza não possui nada que seja análogo. Chamar a Igreja de Noiva é mais do que literatura, é uma necessidade teológica. Sem esse nome ou seu equivalente, nunca poderíamos conhecer a verdadeira relação entre a Igreja e Cristo, e não poderíamos expressar a operação especial do Espírito que desceu no dia de Pentecostes.” (Prefácio do livro “O Espírito e a Noiva”).

Esse capítulo e todos os outros serão postados integralmente para qualquer pessoa que queira conferir o que está sendo colocado.

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s