Houve pancristismo no ensino de Dom Vonier? Ele realmente foi condenado pelo Papa Pio XII?

Observação importante: esse trabalho foi realizado individualmente pelo autor do blog, Jonadabe Rios, e não tem ligação com nenhum grupo, tendo como objetivos principais esclarecer as pessoas interessadas em entender o que Dom Vonier realmente pensava sobre algumas questões e mostrar que ele não foi nem direta nem indiretamente condenado por Pio XII.


 

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“A Igreja pode ser definida como a assembleia dos fiéis que vivem na unidade da fé, sob uma Cabeça, Cristo, em um governo cujo centro é a Sé Romana. Isso é o que podemos chamar de “limite mais distante”, a última extremidade da Igreja. Quem não estiver em conformidade com esses requisitos elementares não faz parte da Igreja” (Anscar Vonier)

Dom Vonier foi um herege? Ele realmente estava no index? Foram encontrados erros no livro “A Maternidade Divina”? E como explicar o pancristismo, o milenarismo e outras tantas acusações feitas a ele pelo padre de grande valor que é o padre Penido?

Todas essas perguntas e várias outras foram feitas a mim por pessoas interessadas em entender o porquê da campanha para a publicação do livro “A Maternidade Divina” ter sido cancelada. De início, algumas que podem ser respostas rápidas serão dadas agora. Depois explicarei como tudo ocorreu e o motivo desse texto, seguido de alguns esclarecimentos importantes.

Não, ele não foi um herege, seu livro não está no index e não há nenhum erro no livro “A Maternidade Divina”. Todos os seus livros, por sinal, possuem o imprimatur. As autoridades da Igreja disseram: “seja impresso”. Além disso, convém destacar que o pe. Penido não o acusou de “pancristismo”, mas de outra coisa (embora eu pretenda demonstrar que Dom Vonier não ensinou o que foi acusado). O Papa também não o acusou ou fez qualquer menção a ele, que era respeitadíssimo pelo papa Pio XI.

Entretanto, não se deve ignorar o fato de que o pe. Penido deve ser escutado com atenção. Foi por isso que eu resolvi juntar todo esse material e explicar a questão aos honestamente interessados.

Peço que perdoem as traduções feitas aqui e dos capítulos que disponibilizarei integralmente, pois o único motivo de as ter feito foi explicar melhor a questão.

Como conheci Dom Anscar Vonier, quais os assuntos de seus livros e por quê decidi começar a divulgá-lo.

Conheci Dom Vonier após confundir-me numa pesquisa sobre os livros de Peter Kreeft. Enquanto pesquisava no Amazon, o livro “A Key to the Doctrine of the Eucharist” apareceu na lista, embora Peter Kreeft apenas tenha feito o prefácio. O prefácio diz o seguinte:

“Eu não sou um teólogo profissional, mas um filósofo; entretanto, leio mais sobre teologia do que filosofia, e só raramente tenho lido um estudo tão convincente, claro e compreensivo sobre a teologia Eucarística como Chave para a Doutrina da Eucaristia. Sua profundidade teológica vem em grande parte de sua fidelidade, bem como o poder de iluminar, da sagrada Tradição da Igreja acerca da Eucaristia, e mostra com clareza a profundidade e a racionalidade dos escritos de São Tomás de Aquino e do Concílio de Trento, como estão enraizados nas Escrituras e nos Pais da Igreja. Dom Vonier torna-os inteligíveis através de um estilo literário e filosófico lúcido, penetrante e simples – como o próprio São Tomás. Embora eu não esteja familiarizado com seu trabalho, após a leitura da Chave – uma joia – olho adiante com o objetivo de descobrir mais sobre o trabalho de Dom Vonier que a Zaccheus Press continua em seu projeto de reeditá-lo. O mais belo efeito que este livro fez em mim foi, por comparação, a demonstração da natureza superficial e efêmera da teologia atual. Parece que não produzimos mais teólogos como antes. Talvez este livro comece a remediar esta carência, instruindo os aprendizes e estimulando-nos à imitação. É melhor que nós, anões, comecemos sobre os ombros de gigantes como ele, como inegavelmente Padre Vonier fez”.

Depois de ler o prefácio, decidi comprar todos os livros que pude encontrar e meu interesse aumentou após pesquisar sobre seus livros e de ler alguns deles (o primeiro foi “Christianus”, livro que também fiz uma tradução). A princípio eu não imaginava que já havia algumas traduções, mas depois percebi que há traduções antigas e sem nova publicação. Há várias publicações antigas e recentes em inglês, francês, espanhol (com suas obras praticamente completas) e alemão. Parece que só no Brasil algumas pessoas tentam sabotar trabalhos assim a partir de impressões mal formadas e reações emocionais que consideram ser o suprassumo da expressão da fé católica.

Percebi, assim como Peter Kreeft e várias outras pessoas, como seria bom para os católicos a leitura dos livros de Dom Anscar Vonier. Então, por que não tentar contribuir mais um pouco para a divulgação de bons livros no Brasil? E foi assim que o projeto começou.

O primeiro livro que seria publicado foi A Maternidade Divina, justamente por ser um livro pequeno, de leitura fácil e com explicações importantes tanto para católicos que desejam aprender mais sobre o ensino da Igreja a respeito de Nossa Senhora, quanto para protestantes sinceros que queiram saber o porquê de amarmos tanto a Mãe do Senhor. Seguiríamos depois com a publicação do Morte e Julgamento, Christianus e a trilogia: A Personalidade de Cristo, A Vitória de Cristo e Cristo o Rei da Glória.

A campanha estava indo bem, apesar dos contratempos, até que…

Como fiquei sabendo da acusação e o motivo do encerramento abrupto da campanha.

Até que um amigo me perguntou se eu tinha visto certo artigo criticando D. Vonier. Olhei a data, vi que fora escrito há pouco tempo e eram comentários do pe. Penido seguidos dos comentários do transcritor.

De imediato notei algumas coisas: (1) o autor fazia algumas acusações de coisas que D. Vonier disse exatamente o contrário em várias obras; (2) os títulos, escritos pelo transcritor e não pelo pe. Penido, eram inexatos; (3) a crítica do pe. Penido era principalmente voltada ao livro “O Mistério da Igreja”, que é a edição escrita de uma palestra, e não a toda obra de D. Vonier; (4) o título principal do artigo induz os leitores inexperientes e apressados a pensarem que o Papa Pio XII condenou direta ou quase diretamente a D. Vonier, coisa que não é verdade. Algumas pessoas que não ficaram simplesmente assustadas com os títulos chegaram até mesmo a perguntar onde estava a condenação de Pio XII.

Assim que fiquei sabendo, imprimi o texto e pedi que o padre avaliasse. Fiquei sempre sabendo por terceiros, com a impressão de que uns ou outros divulgavam na surdina, até que essa ação tomou proporções estranhas.

Entretanto, como eu disse outra vez, se houve malícia nisso tudo, não nos cabe julgar.

Finalmente, por questão de prudência, e por agitações, foi necessário tomar uma medida rápida e a campanha foi cancelada. Muitos equívocos surgiram a partir disso tudo, alguns dos quais foram citados no início do texto e foram esses equívocos uma das motivações para reunir todas essas informações.

Depois que tive certo tempo livre, passei a reler alguns livros de D. Vonier, dos quais eu já tinha visto ele dizer exatamente o contrário do que fora acusado e ler outros livros dele para resolver a questão.

Mas antes quero chamar atenção a algo importante: mesmo se Dom Vonier estivesse errado no livro “O Mistério da Igreja”, ou até mesmo tivesse cometido esse erro em todos os livros dele (o que não é verdade, como veremos), ele teria errado antes da encíclica do Papa Pio XII. Dom Vonier morreu antes da encíclica ter sido escrita e, portanto, não é correto chamá-lo de herege em algo que não havia sido definido por um Papa até então. Vários santos e doutores da Igreja ensinaram coisas erradas antes do contrário ser definido como dogma e nem por isso são chamados de hereges. Outra coisa importante é o fato da crítica ter sido endereçada somente ao livro “O Mistério da Igreja” e não a toda obra dele. Portanto, mesmo considerando os erros do “Mistério da Igreja”, não faria sentido desprezar toda uma obra autorizada pela Igreja por causa dos erros cometidos em uma conferência, principalmente quando os outros livros demonstram que o autor pensava o contrário das acusações apresentadas.

Assim, depois de avaliar os livros dele que de algum modo tratam do assunto, selecionei o que ele diz sobre as alegações que foram feitas e teci alguns comentários importantes. Além disso, postarei alguns capítulos completos à parte para quem quiser conferir. Também digitalizarei livros importantes para quem quiser compreender realmente o pensamento do autor.

Meus comentários estarão em azul. Algumas outras citações serão postadas e comentadas aos poucos, conforme eu tenha tempo para fazer uma rápida revisão.

1 – Raiz da heresia?
2 – Dom Vonier “pancristista”?
3 – A Ilusão Milenarista.
4 – Sentido ortodoxo das metáforas em eclesiologia.

Outras informações interessantes:

1 – Dom Vonier contra o modernismo.
2 – O lado oposto – Ainda sobre o modernismo
3 – Mais uma referência contra o suposto arcaísmoAtualizado em 10/01/2016
4 – Unidade na variedade – Contra a acusação de arcaísmo – Atualizado em 12/01/2016

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